Sem o nome
06/12/2008 e uma dona de casa é estuprada enquanto enchia tonéis com água para lavar roupa no outro dia. DONA DE CASA… parece vago? É vago, mas precisa de mais? O acontecimento em si para eles basta, para que o nome? Ela nunca o teve mesmo; vivia subordinada a um marido infiel e interrogativo. Noite. Sem água há tanto tempo, como sofreu para cuidar das crianças sujas e desesperançosas. Ela era os pilares daquela casa. Era sim; não que sua existência fizesse sentido depois de ter ligado as tubas uterinas, mas ninguém sem nome se mantém vivo depois de retirada a dignidade à frente de todos. À frente dos filhos, por mais grotesco que pareça. O monstro? Nome Sobrenome de Subnome; era homem, era marginalizado, tinham que culpar o governo e a sociedade porque eram mídia, e a mídia lucrava com isso, em criticar a sociedade, o governo de novo e novamente e para sempre.
Suas lágrimas cicatrizaram em marcas rubras em seu rosto velho e erguido. Agora no mundo dos mortos não teria medos, não teria óvulos a serem usados. Estava morta e vivia finalmente sem a culpa, sem a desconfiança empregada pelas correntes transparentes da mente fechada, que nunca se rompem, mente que nunca evolui e que vai matar dezenas delas.
Preferiu gritar. Mas se tivesse aprendido a escrever sentaria e produziria seu ‘Em busca do tempo perdido’, reencontrando o sentido perdido de novo, como olhando para um poço, que não refletiria seu rosto, mas seu desgosto em ser um número de estatística. Seu nome era…
mas a graça não é ter nome, é ter histórias.
Outro post que faz cross com o meu! hehe
Justamente como a Deborah disse. São as histórias que permanecem. Somos todos sem nome. Todos sem nome.
credo. haha
bom texto, bom texto.
Crítico. Muito bom.
Mas, pras meninas aí em cima, prefiro manter meu nome. ;P