Epifania?
Violeta. Fazer a comida é a rotina dela: ir à feira, comprar as verduras e as carnes, voltar e prepará-las. Anil. Mas naquele dia foi diferente… estava tudo diferente quando acordou e viu a si mesma… por que as pessoas têm olhos? Viu que era mais uma. Que não fazia falta, mas sabia que tinha nascido para isso e que não desistiria antes de ser lembrada. Azul. Saiu à luz do dia e comprou tomates em um supermercado, ’se deu o luxo’, e correu para casa… eram especiais, eram de supermercado e tinham custado duas vezes mais do que podia. Mas ela queria. Foi cortá-los para por na salada. Verde. ‘Além dos tomates um pouco de alface’, sempre tinha sido cuidadosa em seus afazeres, e queria obviamente impressionar os acostumados às antigas cebolas. Amarelo. Pegou a faca e começou a mutilação: 1, 2, 3, 4, 5. ‘DROGA’. Cortou o dedo e viu seu sangue escorrer no metal. Doía e ela sabia que na dor entendia a razão da diferença. ‘Porque na diferença estava meu encontro pessoal, minha causa não-dita, estava tudo guardado e agora eu abri a ferida e saiu’. Laranja. Era o último momento… a decisão, via o sangue até o final ou lavava e perdia sua oportunidade? Viveu para ver que o corte libertou-a. Viveu para ser lembrada por mim e por ti. VERMELHO.