Esperança
Eu estava na rodoviária esperando o ônibus para ir a Piancó, cidade natal dos meus pais, quando aconteceu uma coisa estranha: um homem de seus vinte e tantos homens chegou me vendendo balinhas. Eu, prontamente, aceitei e comprei um, até que ele olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas dizendo “Desculpa pelo incômodo senhor, mas é que agora eu tô precisando… desde… desde… meu irmão fez isso comigo…” então ele saiu e sentou-se num canto qualquer e ficou a pensar.
Daí eu me pergunto: o que teria acontecido? O que o irmão dele teria feito? Será que esse moço não teria uma vida digna, com família, mulher, filhos, morada se não fosse esta suposta “passada-de-perna” do irmão? Será que isso realmente aconteceu?
Meus pensamentos chegaram a mil depois do acontecido e não poderia deixar de escrever aqui o que acho.
Até que ponto o ser humano pode destruir uma vida?
Será que esse irmão não se aproveitou de alguma fraqueza, de algum desleixo? A vida traz dessas coisas: o ser humano trouxe o mal até pra seu próprio sangue…
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