Caso Uniban

30 Outubro, 2009 Talles Deixe um comentário
esse é o próximo passo?

imagem do site www.saopaulourgente.blogspot.com

A gente vive numa sociedade em que puta é xingamento, né mesmo? A violência é intrínseca à raça humana, né mesmo? A imbecilidade e o machismo são características do nosso admirável mundo novo, né mesmo?
A gente tem condição de julgar nosso semelhantes e castigá-los de acordo com nosso prazer, né mesmo?

O inferno são os outros, né mesmo?

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Confiabilidade do Sorriso

9 Agosto, 2009 Talles 1 comentário

“- Sabe como fazer um mulher se entreter por um bom tempo?
Escrevendo num papel vire em ambos os lados.”

“- Sabe por que não existem negros com síndrome de Down?
Porque Deus não erra duas vezes na mesma pessoa.”

Esses são exemplos do quão anarquista e livre de responsabilidade o mundo do humor é. Você pode não achar graça alguma nessas piadas, mas tem muita gente que acha. Você pode achar um absurdo alguém brincar com algo desse tipo, mas tem que aceitar, afinal, é uma piada. Só uma piada.
As críticas mais ferrenhas, o sarcasmo mais bem aplicado, o ódio mais contido, a certeza menos mostrável, tudo pode ser amenizado e contado assim, com a vantagem de ser apenas uma piada. O humor se transformou numa forma de satisfazer a maldade contida nas pessoas, já que o consideram como refúgio, longe da seriedade, do politicamente correto, um mundo a parte onde podem ser preconceituosas, amargas, idiotas, fúteis.
O problema não é recriminar um humorista por isso, mas não poder recriminá-lo. Não é porque algo é uma piada que você não possa se sentir ofendido, não achar uma imbecilidade e não se indignar. Não é porque algo é uma piada que não é passível de críticas, de manifestação, de desprezo. Não é porque algo é uma piada que pode ser desumano.
Mas isso parece estar dentro do consciente das pessoas: fazer piada com tudo, desde a levianidade mais cotidiana ao mais sério problema. Existe uma necessidade de eufemizar ou de tirar o peso sobre os acontecimentos, uma forma de não deixar que nada seja sério o bastante pra se manter apenas sério; que nos faça nos preocuparmos. Entretanto isso vem de algo mais amplificado, já que é costume no nosso país ‘viver apesar de’, e encontram na banalização de tudo pelo humor uma forma de tirar sobre as costas a responsabilidade.

Mas isso é ilusão.

A piada cotidiana acaba alienando e fazendo com que as pessoas se satisfaçam vivendo ‘apesar de’ ao longo de suas vidas porque estão rindo. Rindo de si na miséria mais profunda, na ignorância onipresente e na total falta de expectativa de mudança.

Sob o signo do Símbolo

28 Junho, 2009 Talles 3 comentários

  O misticismo e a simbologia foram fundamentais nas relações humanas, nas decisões de líderes, na dominação de religiosos, no controle das massas. Mas o que me espanta é a necessidade de se instituir símbolos ainda ser tão presente em nossas vidas. Representam uma tradição que ultimamente tem sido tão deturpada, tão maltratada e tão renegada. Mas a construção de símbolos ainda está lá, modificando mentes e levando cérebros às mais intensas viagens. E nem a sede por dinheiro, por glória ou algo desse tipo, tem se tornado capaz de apagar do subconsciente que existem os símbolos, as marcas, as representações.

Hipergólicos

17 Maio, 2009 Talles 3 comentários

A América é um continente de consequências. Somos assim não por um processo pacífico, nós lutamos muito, lutamos tanto que nos esgotamos, aliás, fomos esgotados. A América inteira reflete essas consequências. Mas então por que não nos sentimos americanos? Porque somos produtos de uma miséria política, de uma dominação econômico de quem finge não ter nada a ver com isso. Houve sangue em cada planície e em cada planalto. Houve sangue em cada sorriso e em cada abraço. Mas hoje somos nós. Países oligárquicos… dominados por ideologias contraditórias… mas guerreiros, ainda lutamos por direitos antigos. Mas quando seremos vistos como independentes? Como povo de verdade e não como colonizados por europeus? Quando seremos nós? Quando trocaremos o ‘descobrimento’ por ‘dominação’, definitivamente? Quando vamos calar a boca de quem nos chama de vulcão?

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“Nem tal excesso de honra nem tal indignidade”

1 Fevereiro, 2009 Talles 8 comentários

Equilíbrio, para Física, pelo menos grosso modo é quando todas as forças sobre um indivíduo se harmonizam, não permitindo movimento (estático) ou deixando-o em retilíneo uniforme (dinâmico). Esse conceito pode ser analisado de um ponto de vista mais humano… ‘forças sobre o indivíduo se harmonizando’… sem pressão? Ou pressões aceitáveis?

O ponto ótimo que se supõe ser buscado por nós, seja de forma involuntária, por instinto,  é relativisado. O padrão já deixou de ser seguido há séculos, e a personificação parece trazer a idiossincrasia a mil.
A caridade tornou-se sinal de idiotice ou tolice; e com ela vieram o desapego, o consumismo, a estima pessoal etc. Equilibrar-se novamente dentro de cada contexto é um trabalho não-resignado. Para quê? Honra e indignidade: extremos humanos, demasiadamente humanos. Conceitos perdidos.
E apelando ao século das dúvidas, será isso verdade? Encontrar nosso ponto ótimo já é por si prazer e felicidade? Deixo a mão de lado e caneta bem próxima para quem se atreve.

Nesse processo de pressões simultâneas em que vivemos estamos sempre a um desses dois lados. Buscamos a nossa honra ou trazemos a indignidade para o próximo ou vice-versa ou nenhum dos dois. A questão é que aprendemos a nos equilibrar em relação aos fatos e às pessoas que tomamos como referencial. Criar nosso referencial e a partir dele sermos guiados é o caminho mais lúcido.

Uns podem dizer ‘não preciso de honra, não preciso de dignidade’. ‘Precisa-se de desonra, de indignidade’.  Não comparam parâmetros e não enxergaram as consequências.

Só os sem-honra e os indignos têm mostrado a verdade digna e honrada. Oh hipocrisia.

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